terça-feira, 8 de outubro de 2019

Prevenindo as dificuldades e problemas de aprendizagem


Primeiro gostaria de esclarecer o termo designativo "dificuldade de aprendizagem". Dificuldade é qualquer coisa que atrapalhe, não é algo específico. Se aprender é um esforço, então, podemos dizer que, quando algo me tira deste "esforço de aprender", passa  a ser uma dificuldade. Por exemplo: dificuldade de controlar a curiosidade para olhar o celular ou assistir à televisão, não conseguir ficar sentado por muito tempo no mesmo lugar, hábito de ouvir música enquanto estuda, enfim...algumas atitudes ou comportamentos que podem interromper o aprendizado e gerar a dificuldade.

Dificuldade é um termo genérico, ou seja, qualquer um pode ter uma dificuldade de aprendizagem. Nestas situações é preciso examinar minuciosamente todos os elementos que podem estar interferindo na aprendizagem, aqui podemos considerar fatores como ambiente, condições, atitudes, entre outros. O problema pode não estar no sujeito, mas sim fora dele. É preciso descobrir qual é o agente de interferência que está dificultando a aprendizagem do sujeito.
"Para entender o que o outro diz, não basta entender suas palavras, mas também seu pensamento e suas motivações." Lev Vygotsky
Agora, quando usamos o termo designativo "problema de aprendizagem", estamos dizendo que existe um obstáculo que o sujeito precisará transpor e que exigirá mais esforço. Aqui podemos incluir, por exemplo, a falta de repertório,ou seja, ele não possui  a condição necessária para executar determinada tarefa. Podemos encontrar, com esta característica, boa parte das crianças com dificuldade no período de alfabetização. É preciso salientar, que para uma criança ser alfabetizada, existem requisitos mínimos que não podem ser negligenciados, sem estes requisitos a criança apresentará problemas nesta fase. Quais são os requisitos? Coordenação motora, noção de espaço, direção e quantidade, domínio da linguagem oral, consciência fonológica, conhecer o alfabeto, desenvolvimento cognitivo (atenção, concentração, percepção, memória, etc), discriminação auditiva, discriminação visual.

Quando falamos em não ter repertório nos dirigimos para  o campo da "limitação", A LDA (The Learning Disabilities Association of America) nos apresenta algumas classes de problemas, que são:


  • Problemas de Leitura ( Visão )
  • Escrita
  • Auditivo e Verbal
  • Matemáticos
  • Social/Emocional



Nestes casos, é preciso transformar estes problemas em algo que possa ser transposto. Por exemplo, quando dizemos que "temos um problema de visão", é um problema, geralmente, fácil de resolver, basta ir ao oftalmologista e provavelmente você passará a usar óculos.

O importante é entender as razões que cercam o sujeito e que podem lhe permitir avançar, porque os problemas costumam ser pontuais. Nestas situações é possível observar, muitas vezes, julgamentos errôneos das pessoas que convivem com o sujeito, demonstrados através de falas como: "É falta de interesse!", "Não presta atenção porque não quer saber de nada!", entre outros. Sem empatia é impossível ajudar estes indivíduos!

Imagine uma criança que convive diariamente em uma sala de aula onde a maior parte dos amigos está lendo e escrevendo, a professora aplicando exercícios nos livros, e ele simplesmente perdido, sem conseguir ler e responder nada. Como fica a auto-estima desta criança? Encontramos crianças com problemas sociais e emocionais, fatores que interferem no aprendizado, com muita frequência. Crianças que são negligenciadas pela própria família, pela escola e até pela sociedade. Crianças que vivem em ambientes pobres em estímulos, sem acompanhamento dos pais ou familiares em relação aos estudos. As chances dessa crianças apresentar problema é enorme! Quero deixar uma reflexão:

"Se você fosse essa criança, com dificuldade, em uma sala de aula padronizada, onde todos caminham e você fica para trás, como você se sentiria e que tipo de vínculo você acredita que faria com a escola e o aprendizado? Positivo ou negativo?"

Em sala de aula é preciso colocar em prática todo o conteúdo teórico que Lev Vygotsky, Piaget, Maria Montessori, e muitos outros nos deixaram. Se o aprendizado ocorre na relação com o meio e  com o outro, porque vemos tão poucas trocas em sala de aula? É a fase que eles mais precisam interagir, discutir, criar, argumentar.
"O maior sinal de sucesso para um professor...é para dizer: As crianças estão trabalhando como se eu não existisse." Maria Montessori
O que observamos são padrões difíceis de serem quebrados, carteiras enfileiradas, criança olhando a cabeça da outra criança, sem contato visual, olho no olho. Por que não experimentar coisas novas? Carteiras em meia-lua ou crianças sentadas em duplas para realizarem atividades juntas, por exemplo. No início todos podem estranhar, é normal, pois temos medo do novo, porém somos seres que se adaptam aos ambientes e situações. É preciso sair da "caixinha". É preciso organizar as crianças de forma que possam aprender umas com as outras, onde elas possam se expressar mais, dar opinião, pensar juntas e o professor consiga mediar este conhecimento de forma significativa.

Imagine uma criança que ainda não possui o repertório necessário tendo a oportunidade de aprender com o colega que já possui, podendo se expressar, experimentar e participar da aula, sem o constrangimento de ficar apenas observando todos fazerem algo que ele ainda não consegue, por falta de repertório. 

Quando falamos em prevenção, estamos falando de algo que devemos fazer antes que determinados problemas apareçam, se não eliminá-los, irá, ao menos, reduzi-lo. Neste ponto é preciso ter empatia, criatividade e interesse, pois é preciso mergulhar e se aprofundar nas teorias, com o objetivo de levar novas experiências para a sala de aula. Aqui vale a inovação! Algo que, de repente, ninguém pensou ou fez. Lembre-se que, tudo que existe de novo no mundo, foi pensado por alguém que não seguiu o "padrão", que muitas vezes foi chamado de "louco" por não ficar preso dentro de padrões preestabelecidos.
"Professor não ensina, mas arranja modos de a própria criança descobrir. Cria situações-problemas." Jean Piaget
Em relação ao pais, o que você pode fazer para ajudar seu filho? Estabelecer rotina com horário de estudo, sono e alimentação, conferir a lição todos os dias, manter um bom relacionamento com a escola e professor, estabelecer limites e deveres dentro de casa, adquirir jogos ricos em estímulos e jogar com ele, reduzindo o uso da tecnologia ( TV, celular, tablet, computador etc), levá-lo para brincar fora de casa, ao ar livre, tenho certeza que não faltará criatividade para você passar um tempo com seu pequeno.

Para finalizar, te encorajo a fazer diferente e mudar a realidade no meio em que você está inserido, dentro de casa ou na sua sala de aula. Faça a diferença! Dê o seu melhor e fuja de determinados padrões que não funcionam para todos os indivíduos. É preciso olhar o sujeito em sua integralidade, considerando sua realidade e visão de mundo, pois não existem dois mundos iguais, cada um de nós vive seu próprio mundo, criado a partir de nossas experiências e interações. Portanto, existem vários formas de aprender e ensinar!
"O que vemos muda o que sabemos. O que sabemos muda o que vemos." Jean Piaget

#GRATIDÃO

Cristiane Saraguci
Psicopedagoga e Personal Coach







quinta-feira, 5 de setembro de 2019

EOCA - Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem


A EOCA é um dos instrumentos que pode ser utilizado no processo de avaliação psicopedagógica. O termo EOCA significa "Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem" e foi elaborada pelo professor argentino Jorge Visca.

A aplicação da EOCA é um momento especial e possibilita o primeiro contato com a pessoa que apresenta algum sintoma, ou alguns deles, correspondentes a queixa inicial de dificuldade de aprendizagem. Aliás foram os sintomas que levaram a pessoa, ou seus responsáveis, a procurar ajuda de um especialista.

A EOCA é um instrumento que pode ser utilizado em qualquer faixa etária, lembrando que não são apenas crianças e adolescentes que podem apresentar dificuldades de aprendizagem, a ação psicopedagógica não apresenta limite de idade, assim como não existe limite para aprender.

Para organização da EOCA teremos como parâmetro os materiais que serão escolhidos para compor uma caixa, levando em consideração a idade da pessoa que será atendida e sua condição escolar atual. Visca (2010) sugere os seguintes materiais:

Folhas lisas brancas tamanho Carta ou A4
Folhas com linhas e quadriculadas
Lápis novo e sem ponta
Apontador
Borracha
Caneta
Folhas de papal colorido para dobradura
Régua
Lápis de Cor
Livro ou Revista

Como pode observar, os materiais lembram os que utilizamos na escola, por exemplo. Esses materiais podem ser adaptados de acordo com a faixa etária. Vamos dizer que a pessoa atendida seja uma criança com menos de 4 anos, podemos incluir materiais próprios da idade, como giz de cera grosso, livros infantis para esta faixa etária, etc. Se a pessoa for adulta pode-se incluir um livro de poesia, uma revista para adultos e assim por diante.

O importante não é a quantidade de materiais, mas a escolha dos objetos que servirão como mediadores, ou como disparadores de uma apresentação. É preciso lembrar que o foco desta entrevista não é procurar as "dificuldades" de aprendizagem, nosso olhar precisa estar direcionado par o sujeito que está diante de nós. Assim, o que nos importa, é conhecer e observar essa pessoa, a fim de compor um sistema de hipóteses que nos leve a compreender o seu jeito de aprender.

A aplicação da EOCA acontece basicamente da seguinte forma, uma mesa e duas cadeiras, em cima da mesa ficará disponibilizada a caixa com os materiais que poderão ser utilizados após a abertura da entrevista com a seguinte consigna:"Gostaria que você me mostrasse o que sabe fazer, o que lhe ensinaram, o que aprendeu. Para isso você poderá utilizar os materiais que estão sobre a mesa". E, após alguns instantes acrescenta-se: "Este material é para você usar, se precisar, para mostrar-me o que eu gostaria de saber de você, como comentei".

Em uma EOCA nos interessa três elementos: a temática, a dinâmica e o produto.

A temática é tudo aquilo que a pessoa fala com o interlocutor e consigo mesmo, o que é muito comum, uma vez que escutar a própria voz é um recurso organizador da própria ação.

A dinâmica é o conjunto de movimentos corporais realizados pela pessoa durante a entrevista, desde a maneira como segura um objeto (tesoura, lápis, caneta, cartas de baralho,...), até o modo de se sentar, o piscar incessante, isto é, os movimentos que ela realiza ou a falta de movimentos.

O produto é a produção da pessoa, seja um desenho, um texto, uma colagem, entre outras inúmeras possibilidades.

Esse conjunto de observações é que expressa a "resposta" dada à consigna de abertura, ou tarefa de abertura, solicitada pelo entrevistador.

O entrevistado pode reagir de diversas maneiras diante da consigna ou tarefa:


  • falar;
  • desenhar, escrever, fazer contas, etc;
  • perguntar o que é para fazer;
  • ficar paralisado;
  • entre outras.

O papel do entrevistador não é dirigir a entrevista, mas apenas observar os movimentos apresentados e identificados, acolhendo-os, podendo realizar algumas intervenções. Visca (2010) sugere o modelo de múltipla alternativa, ou seja, que se apresente algumas possibilidades, como expressa em: "Você pode desenhar, recortar, pintar ou fazer qualquer outra coisa que lhe ocorra".

Ao realizar alguma intervenção o psicopedagogo precisa ter como objetivo observar a mudança de conduta; de que maneira a pessoa reage diante de uma situação que o desorganiza e como ele se reorganiza; a qualidade de suas justificativas, o que ele aceita ou recusa no vínculo que estabelece com o especialista, com os materiais oferecidos ou com as intervenções realizadas.

Como registar? Durante a aplicação da EOCA o especialista anota todos os movimentos, cometários, ações da pessoa entrevistada, o ideal é já ter uma folha dividida em duas colunas, na primeira coluna fazer os registros e na segunda coluna anotar as hipóteses. É importante anotar os próprios pensamentos e perguntas feitas durante a entrevista. Não se trata de um pensar qualquer. É um pensar focado nos parâmetros oferecidos pelas teorias que explicam o desenvolvimento humano, que, no caso da Teoria da Epistemologia Convergente, são os aportes teóricos da escola de Genebra, da psicanálise e da psicologia social.

Somente após este estudo é que se passa para a escolha de instrumentos de pesquisa que podem vir a responder algumas hipóteses levantadas.

Espero ter ajudado a esclarecer um pouco sobre este instrumento importante no atendimento clínico psicopedagógico.

GRATIDÃO

Cristiane Saraguci
Psicopedagogia e Coach
(11)98315-1410











quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Feito é melhor que perfeito!


Quantas vezes você já ouviu esta frase: "Feito é melhor que perfeito"? Minha experiência de vida e profissional me mostrou que essa é uma verdade incontestável, e eu complemento: "aperfeiçoe fazendo"! Não estamos dizendo aqui que devemos fazer as coisas relaxadamente, esse é um entendimento equivocado. Esta reflexão me leva a pensar em outra frase: "Faça o seu melhor hoje com as ferramentas que você possui". Você já deve ter percebido onde eu quero chegar!

Sabe as famosas "desculpas" que damos a nós mesmos para não tocar um projeto, para não fazer o que precisa ser feito? Pois é. Se você observar perceberá que "nunca as condições estão perfeitas pra você", e esse é o perigo. Vamos adiando, adiando...e a pergunta que fica é: "se não é hoje será quando?". Nós precisamos, é claro, de condições mínimas para realização de determinados projetos, mas boa parte deles nem foram para o papel, estou dizendo alguma bobagem? Me fale quando foi a última vez que você PLANEJOU de verdade algo, que você colocou no papel o seu sonho, o seu projeto?

Chegamos a outro ponto importante na conversa, pois tudo que vem do mundo das ideias (sonhos, projetos, metas) precisa ser colocado no papel, pois é neste momento que seu sonho começa a virar realidade, ele sai do mundo das ideias e passa a ser "palpável" pra você, é neste momento que você começa a idealizar, planejar e, principalmente, estipular prazos para que tudo isso vire realidade. Alguém sobe uma escadaria inteira em um só passo? NÃO. Pois é! Na vida também assim, vamos subindo degrau por degrau, em alguns momentos precisamos retroceder e iniciar o processo de subida novamente, é assim que funciona!

Descobri que as pessoas que mais realizaram são as que mais tropeçaram, porque elas não têm medo de errar! Elas descobriram que é justamente neste ponto que está o aprendizado. Ninguém nasce sabendo, nós aprendemos errando! Se você não tentar, NUNCA vai aprender! O aprendizado é "AÇÃO", é uma sequência de tentativas, erros e acertos. Antes de você aprender a andar você caiu muitas vezes! O ciclo do aprendizado para pela fundamentação teórica e em seguida segue para a prática, sem a prática o aprendizado não se concretiza, é assim que funciona! Não adianta você estudar, estudar, estudar e não colocar em prática, porque você só dominará o conteúdo quando COMEÇAR A FAZER, é ali que aparecem as dúvidas, as dificuldades, é neste momento que você pedirá a "AJUDA DOS UNIVERSITÁRIOS" quando necessário.

Para finalizar, eu quero encorajar você a dar o primeiro passo! Se pergunte: "o que eu desejo tanto mas tenho medo de realizar?", "o que eu venho dando desculpas a mim mesmo para adiar?". Comece já a colocar no papel, você se surpreenderá com o que é capaz de fazer. Não tenha medo de errar, pois errar faz parte do processo de aprender. Como diz o ditado popular: "só não se dá jeito para a morte", as outras coisas vamos conduzindo. Existe um universo de possibilidades à sua volta, basta você expandir a sua mente e ACREDITAR! Afinal:

"Tudo é possível àquele que crê." Marcos 9:23


GRATIDÃO



terça-feira, 27 de agosto de 2019

Neuropsicopedagogia: o que significa?


A Neuropsicopedagogia é uma ciência transdisciplinar, fundamentada nos conhecimentos da Neurociência aplicada à educação, com interfaces da Pedagogia e Psicologia Cognitiva que tem como objeto formal de estudo a relação entre o funcionamento do sistema nervoso e a aprendizagem humana numa perspectiva de reintegração pessoal, social e educacional.

O Neuropsicopedagogo poderá atuar em ambientes educacionais e/ou instituições de atendimento coletivo, clínicas, hospitais, que apresentem projetos voltados às dificuldades de aprendizagem.

De onde surgiu a Neuropsicopedagogia? Em 2008, na cidade de Joinville, no estado de Santa Catarina, um grupo de docentes em uma instituição de ensino e pesquisa, que promovia assessoria em cursos de pós-graduação, incluíram discussões que envolvia Neurociência aplicada à educação, nas especificidades das aprendizagens escolares. Eles se uniram para pensar esses olhares e avaliarem tudo o que estava disponível no âmbito da educação especial, das dificuldades de aprendizagem, da inclusão escolar e do atendimento multidisciplinar, a partir das concepções transdisciplinares que o grupo tinha.

A partir disso nasce, então, o primeiro projeto que envolvia as Neurociências aplicadas à educação, nomeado de Neuropsicopedagogia, unindo Neurociências, Psicologia e Pedagogia.

O Neuropsicopedagogo é o profissional que reúne o conhecimento pedagógico e neuropsíquico necessário para entender a realidade neuropsíquica cognitiva do sujeito, visando:


  • Identificar as potencialidades cognitivas do sujeito, independentemente do tipo de dificuldade de aprendizagem, distúrbio, transtorno ou qualquer anomalia neuropsíquica que esteja presente;
  • Estimular o desenvolvimento dessas potencialidades, com base no conhecimento do funcionamento e programação das suas redes neurais;
  • Treinar os professores e orientar os pais no entendimento neuropsíquico cognitivo de seus alunos e filhos, visando possibilitar a verdadeira inclusão escolar e social;
  • Identificar os sintomas que dificultam o processo ensino-aprendizagem, desde os primeiros anos de vida;
  • Fazer a análise comparativa dos sintomas, visando identificar os que podem ser provenientes de bloqueios emocionais e os que podem estar relacionados às anomalias comportamentais, , neuróticas, neurológicas, psíquicas ou outras, fazendo os devidos encaminhamentos para outros profissionais;
  • Sugerir intervenções após concluído o período avaliativo e o laudo da hipótese diagnóstica.
O público do neuropsicopedagogo vai desde crianças até idosos.

Quando procurar um Neuropsicopedagogo? Podemos citar alguns sinais:

  • Notas ruins em todas as matérias;
  • Notas ruins em matérias específicas;
  • Desatenção;
  • Agressividade;
  • Choro excessivo;
  • Oposição excessiva;
  • Dificuldades no relacionamento;
  • Preguiça de estudar;
  • Dificuldade de aprendizagem em geral.
Espero ter esclarecido suas dúvidas sobre o assunto. Caso queira deixar alguma pergunta, sugestão, crítica ou comentário, fique à vontade! Ficarei feliz em respondê-la.

GRATIDÃO!

Cristiane Saraguci
Psicopedagoga Clínica e Institucional
Personal & Professional Coach
Pós-graduanda em Neuropsicopedagogia Clínica e Institucional





terça-feira, 23 de julho de 2019

O útero, a mãe e o bebê! Afetividade e socialização em desenvolvimento.


Muito ouvimos falar em vínculo materno, mas dimensionar o impacto que ele causa e representa no desenvolvimento de um indivíduo é bem difícil! Na Psicopedagogia - e na teoria essencial (ou de Matrizes Dimensionais) - denominamos "brincadeira essencial" aos modos de afetividade e de relação social. Existe socialização no útero? O bebê realmente sente ou percebe o que se passa com a mãe?

A resposta é SIM! A criança é "afetada" desde o início de sua vida para a construção de seus modos de afetividade, ou seja, no ventre materno a mãe irá transmitir seus estados de ânimo, movimentos e sentimentos. Dentro do útero, o bebê irá registrando "visceralmente" tais estados  e começará a configurar de acordo com sua singularidade (ele é um ser único na sua espécie), seus "estados psíquicos". Muita responsabilidade, não é mesmo? Imagine que da mesma forma como é transmitida a cor dos olhos ou da pele, as sensações irão se inscrevendo, no incipiente psiquismo, dimensionalmente conforme a evolução dos órgãos sensoriais e segundo o material genético específico.

Quando eu cito o material genético para a estruturação da afetividade e da socialização, estou me referindo àquele material genético afetivo e vincular do qual a mãe é portadora, estruturado conforme suas modalidades, vivências e experiências próprias, que serão transmitidas por via intra-uterina ao bebê. Ali, no útero, serão criadas as bases da afetividade. Essa será sua primeira experiência e forma de socialização. Incrível!

Por isso é tão importante que a mãe tenha uma gestação tranquila, é interessante que a mãe procure atividades que lhe ajudem a manter um estado de ânimo positivo. Conversar com o bebê, colocar músicas para ele ouvir, tudo isso ajuda para o bom desenvolvimento da psique do bebê.

Infelizmente não se pode dimensionar como cada bebê será afetado, o resultado poderá aparecer no desdobramento do seu desenvolvimento, pois somos seres únicos e complexos, o que afeta de forma negativa um indivíduo pode não ter um impacto tão significativo em outro. Mas o importante é saber que o bebê está recebendo toda informação para o seu desenvolvimento dentro do útero e usar isso como instrumento para fazer as melhores escolhas possíveis, contribuindo assim com a natureza e com a saúde emocional do bebê.

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Gratidão!

Cristiane Saraguci
Psicopedagoga e Coach
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segunda-feira, 17 de junho de 2019

Brincadeira é coisa séria para o desenvolvimento cerebral


A aprendizagem acontece desde o momento em que nascemos. Inicialmente chegamos ao mundo com nossos movimentos reflexos e instintivos. Observe o bebê recém-nascido, como ele sabe que deve sugar para se alimentar? As crianças, desde a maternidade, têm a capacidade de interagir e aprender. Já nascemos com uma ferramenta importante no processo de aprendizagem: a imitação! Sabe aquele momento em que você passa perto do berço e mostra a língua para o bebê e ele responde de volta mostrando a língua também? Pois é, tudo isso faz parte do desenvolvimento e da aprendizagem. Podemos dizer que nascemos com um "aparato biológico de imitação". A aprendizagem ocorre por meio da inter-relação entre o biológico e o meio.

Segundo Gazzaniga, Heatherton e Halpern (2018) a imitação configura a primeira interação social dos seres humanos, mas que envolve uma capacidade intelectual peculiar, uma vez que imitamos outro ser humano e não objetos. Ou seja, qualquer brincadeira aplicada por qualquer pessoa a crianças pode ser reproduzida, iniciando de forma mais simples em relação a gestos e movimentos. e passando, com o tempo, a uma complexidade maior.

Agora você entende porque o "exemplo" é mais importante para a criança do que a nossa fala? A imitação é um mecanismo natural da criança. Sendo assim, o estímulo do brincar também é extremamente importante para a formação do processo de aprendizagem. O brincar está ligado intimamente aos seres humanos e ele varia de acordo com a faixa etária, pois vai aumentando sua complexidade conforme o avanço de maturação do ser.

Existe também uma diferença entre brincadeiras, jogos, brinquedos e atividades lúdicas. Os jogos, por exemplo, possuem mediação de regras, ou seja, é uma brincadeira que exige mais do exercício cognitivo como atenção, concentração, tomada de decisão e respeito a regras. O brinquedo, por sua vez, é um objeto utilizado para o processo do brincar, por isso é importante escolher bem os brinquedos que serão disponibilizados, pensando no objetivo que se deseja atingir com ele, pois para o desenvolvimento motor existe uma diversidade de brinquedos que podem auxiliar nesta construção. Já as atividades lúdicas englobam todas as mencionadas anteriormente.

Infelizmente as brincadeira tradicionais de amarelinha, esconde-esconde, pega-pega, estão cada vez mais raras. Bicicleta, bola, patins, bonecas, carrinhos, estão deixando cada dia mais de serem os brinquedos favoritos das crianças, uma vez que na sociedade atual a tecnologia virou referência de lazer, trabalho e conhecimento. O problema é que esse fenômeno influencia diretamente, de forma negativa, o desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo e social da criança, já que o sedentarismo e o isolamento andam juntos com a tecnologia.

É comum vermos uma criança que nem foi alfabetizada andando por aí com um aparelho eletrônico nas mãos, e o pior, sem um objetivo específico, muitas vezes apenas para ocupá-la e mantê-la "quieta". A consequência? Maior probabilidade de ter dificuldades no processo de aprendizagem, que acaba sendo comprometido pelo motivos citados acima. A linguagem, tanto escrita como oral, se desenvolve a partir da primeira infância. É nesta fase que a criança receberá as ferramentas necessárias para conseguir segurar um lápis corretamente e iniciar seu processo de alfabetização, além de aprender a conviver em sociedade, se relacionar e desenvolver suas habilidades emocionais. A criança precisa se movimentar para aperfeiçoar seus movimentos, sua coordenação motora grossa e fina serão desenvolvidas a partir das brincadeiras, gestos e movimentos trabalhados na primeira infância. E a socialização também faz parte deste processo de conhecimento do eu, do outro e do mundo, para um desenvolvimento psicológico saudável.

A intenção do artigo não é criticar indiscriminadamente a tecnologia, mas trazer uma reflexão sobre a a importância do brincar para o desenvolvimento saudável da criança. A tecnologia pode e deve sim ser utilizada pelas crianças, mas não de forma irresponsável. A substituição das brincadeiras que exigem movimentos físicos por jogos eletrônicos, vídeo-games, computadores, tablets, celulares, podem comprometer seriamente a saúde física e emocional da criança, uma vez que podem provocar isolamento e sedentarismo, para comprovar basta analisar os índices de obesidade e transtornos psicológicos infantis, eles vêm aumentando nos últimos anos como consequência deste fenômeno tecnológico. O Ministério da Saúde estima que 33% das crianças brasileiras, entre 5 e 9 anos, hoje já estejam acima do peso. Já entre os jovens com idades entre 18 e 24 anos, o percentual de obesos aumentou em 110% nos últimos 10 anos país. Bem preocupante não é verdade?

Para Mattoso (2010, p. 31): Em pleno século XXI onde a tecnologia está cada dia mais avançada, as pessoas adquirem doenças e problemas psicológicos frequentemente. A tecnologia com os processos de automação leva as pessoas a assumirem uma vida sedentária, já que, a comodidade, rapidez e flexibilidade na aquisição de informação diminuem o esforço das pessoas em buscar fontes alternativas de lazer, trabalho e estudo.

Se as consequências para os adultos já são graves, imagine para as crianças. Elas acabam adquirindo muito cedo doenças psicológicas, acabam tendo dificuldade de se relacionar e conviver em harmonia com diferentes modos e costumes, que são adquiridos através da socialização, da relação com outras crianças e famílias, ou seja, em sociedade. As brincadeiras no parque e nas áreas externas contribuem para esse desenvolvimento, e lógico, a escola de educação infantil faz parte deste processo, porém os pais não podem achar que somente a escola fará esse papel, existe na família um papel fundamental de parceria para que essa criança se desenvolva de forma saudável na sua integralidade.

Sendo assim, a educação por meio do brincar, estimula a criança, por exemplo, a aprender algo novo, criar hipóteses, usar a imaginação, se relacionar com o outro e com o mundo, e potencializar a sua criatividade. Funções como atenção, memória, linguagem, entre outras, serão aperfeiçoadas. Lembre-se, a aprendizagem tem uma ligação direta com a motricidade (movimentos), por isso incentive as brincadeiras que exigem mais movimentos, equilibre o uso da tecnologia e incentive a criança a brincar fora de casa, inclusive participando das brincadeiras, será divertido e você estará fortalecendo seu vínculo afetivo com a criança!

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Gratidão!

Cris Saraguci 
Pedagoga com Habilitação em Adminsitração Escolar
Pòs-graduada em Psicopedagogia
Pós-graduanda em Neuropsicopedagogia
Personal & Professional Coach SBCoching
(11) 98315-1410
up2udesenvolvimento@gmail.com






A relação do Controle Inibitório, Atenção e Memória, com a aprendizagem!

Toda aprendizagem depende do desenvolvimento sensório-motor, ou seja, das interações com o ambiente e pessoas, além dos processos neurobi...